A pecuária é uma atividade econômica que envolve a criação de animais com objetivos comerciais, não se restringindo apenas aos bovinos de corte e leite, mas também a criação de suínos, caprinos, ovinos, equinos, bubalinos, aves e animais aquáticos, sendo responsável pelo fornecimento de carne, leite e derivados, e outros produtos como o couro e subprodutos usados na indústria.

A pecuária brasileira é uma das maiores do mundo, desempenhando papel fundamental na economia do país. O Brasil possui vastas áreas de pastagens e de agricultura, que provem a produção de alimentos para a atividade. Além disso, a pecuária gera empregos e movimenta diversos setores da economia. No entanto, também enfrenta desafios relacionados à sustentabilidade e ao impacto ambiental, o que tem levado a esforços para tornar a atividade mais responsável e consciente.

Os sistemas de produção mal conduzidos podem gerar impactos negativos no meio ambiente. Entre estes impactos podemos citar o desmatamento, especialmente na Amazônia, o que ameaça a biodiversidade e contribui para a mudança climática. O uso do fogo para manejo das pastagens, a falta de manejo do solo, que impactam diretamente na sua degradação química, física e biológica, a falta de preservação das áreas de reserva legal e áreas de proteção permanente. Uso indiscriminado de insumos agrícolas, como agrotóxicos e adubos nitrogenados. Além disso, a criação de animais resulta em emissões de gases de efeito estufa, como metano, especialmente em ruminantes, resultado do processo de digestão. Esses efeitos somados prejudicam os ecossistemas e comprometem a saúde do planeta, tornando importante buscar alternativas sustentáveis na pecuária.

Para tornar a pecuária mais sustentável, é importante adotar técnicas de manejo que reduzam o impacto ambiental. Um ponto fundamental é garantir que a propriedade rural cumpra todas as exigências legais ambientais, considerando a preservação e/ou recuperação de áreas de RL e APP e eliminação do manejo com fogo como premissas básicas. Outra prática importante é a recuperação da saúde do solo, por meio de manejo da fertilidade e da biologia, descompactação, controle de erosão, e implementação de um manejo conservacionista de longo prazo com utilização de espécies forrageiras adequadas ao sistema de produção. Quanto ao manejo da pastagem, pode-se adotar o pastoreio rotacionado e ou integrado, com culturas agrícolas (Agropastoril) ou silvicultura (silvipastoril), ou ambos (Agrosilvipastoril). Estas técnicas protegem o solo, aumentam o teor de matéria orgânica no solo, aumentando o sequestro de carbono da atmosfera, aumentam a retenção de água no solo, melhoram a qualidade da água que chega aos recursos hídricos, aumentam a diversificação de renda do proprietário rural, melhoram o bem estar animal e consequentemente a produtividade, evitam a degradação ambiental e preservam a biodiversidade. A implementação de práticas de manejo de resíduos, como compostagem, e uso posterior como biofertilizante ajuda a reduzir a contaminação da água. Além disso, o uso de tecnologias para monitoramento e melhoramento genético pode aumentar a produtividade dos rebanhos e das pastagens, com menos recursos.

O Brasil se destaca na implementação de Sistemas Integrados de Produção, especialmente o ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). Segundo o Ministério da Agricultura, há aproximadamente 4 milhões de hectares de áreas adotando o ILPF no país, promovendo sustentabilidade, aumento de produtividade e conservação ambiental. Essa prática integra diferentes atividades agrícolas, reduzindo o desmatamento e otimizando recursos naturais. O crescimento dos sistemas integrados de produção está sendo impulsionado por políticas públicas e incentivos, como o Plano ABC e ABC+, e pelo desenvolvimento de tecnologia, impulsionados pela EMBRAPA e muitas Instituições de Pesquisa e Extensão Rurais Estaduais e Universidades, consolidando o Brasil como líder na adoção de sistemas agrícolas mais sustentáveis.

 

Aline R. de C. Silvestrin

Engenheira Agrônoma

Mestre em Ciência do Solo

Doutora em Engenharia Florestal

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *